Independência ou Morte

A proclamação da independência sempre nos conclama a lançar luzes da reflexão e embarcar ao longínquo 7 de setembro de 1822. Nessa data magna identitária para nossa nação, importante lembrar do legado da independência e de como ainda precisamos superar os atavismos históricos, para que a nossa independência seja experimentada em outra dimensão existencial como país, reconhecendo quais as persistentes mazelas sociais do passado e do presente, na construção de um país melhor e mais decente.

Entre tantos outros ingredientes que levaram à independência do Brasil do império ultramarino de Portugal, um dos fatores determinantes foi o retorno de Dom João VI a Portugal, e a decisão do parlamento português e das cortes portuguesas de extinguir o status jurídico internacional do Reino do Brasil.Com a decisão de Portugal, toda a autoridade do príncipe regente, d. Pedro I, foi retirada e transferida para a metrópole lusitana. Com esse fato, extinguiram-se dezenas de centenas e milhares de cargos públicos instalados pela corte de D. João, quando aqui aportou. Os servidores públicos foram logo convertidos em entusiasmados brasileiros patrióticos, por conta do desmonte do aparato administrativo estabelecido em 1808, quando da chegada da família real. Vê-se que o Brasil já nasce refém do estamento burocrático que, agarrado aos privilégios, quer um país independente, que lhe garanta a manutenção do status quo retirado por Portugal.

Em uma conexão com os dias atuais, o Brasil ainda não está absolutamente independente da uma elite do serviço público que, em alguns casos, mais se server do que serve ao país.

No Brasil de hoje, segundo os dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) 2019, o número de mulheres é superior ao de homens. A população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. Hoje, as mulheres são mais escolarizadas do que os homens, mas isso ainda não está refletido no mercado de trabalho, onde as trabalhadoras ganham, em média, 20,5% menos que os homens.

No Brasil de 1822, uma mulher qualificada foi personagem central da independência, Dona Leopoldina, que formou, junto ao ministro José Bonifácio e de Dom Pedro I, um triunvirato que conduziu o país para independência. Por ser mulher, seu papel foi lançado à secundariedade. No Brasil de Leopoldina e no de hoje, temos em comum uma desigualdade de gênero que deve ser superada, para que possamos ser realmente independentes.

Em um país sem identidade nacional, em 1822, pouca coisa unia os interesses incomuns das províncias do reino do Brasil. Um tema geral era comum a todos, a escravidão. Da província do Grão Pará aos pampas do Rio Grande, a escravidão sempre foi uma pauta comum aos brasileiros. O maior desafio da independência foi viabilizar a ruptura com Portugal sem comprometer a escravidão colonial. Só haveria independência se houvesse escravidão, mudando-se alguma coisa, para manter todo o resto.

Os ecos tenebrosos do chicote, dos grilhões e as trancas das senzalas ainda são ouvidos. Atualmente, em todos os indicadores sociais do Brasil os negros saem perdendo, só liderando no número de pessoas mortas. Morrem 40% mais negros que brancos por coronavírus no Brasil, dados do IBGE. Negros são 75% dos mortos pela polícia no Brasil, segundo relatório produzido pela Rede de Observatórios da Segurança, grupo de estudos sobre violência nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Pernambuco. Não estava na pauta da independência o fim da escravidão e que se levasse mais decência aos negros no Brasil. A independência, pelo contrário, levou a mais mortes.

Que possamos por fim às injustiças históricas e que o Brasil possa declarar a INDEPENDÊNCIA em relação aos parasitas do estado. Cultuar a INDEPENDÊNCIA das mulheres por igualdade. E superar as MORTES por cor da pele e ausência de políticas inclusivas do povo que ainda sofre por erros do passado, enterrando, de vez, o racismo.

INDEPENDÊNCIA OU MORTE.
Viva o Brasil!

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