Feiras e poetas, em prosa e verso

Modalidade de comércio que está presente em todas as cidades do Brasil e em vários países, feira é uma característica de agrupamento social que foi mote poético em Caruaru, em 1956, na inspiração de Onildo Almeida, compositor que hoje completa 92 anos de vida.
Aliás, não dá para falar de “feira” no singular em nossa cidade. Em Caruaru, são 22 feiras, de gado, de carros, do troca, da sulanca, de calçados etc.
Onildo Almeida compôs e ele mesmo fez a primeira gravação. Em 1957, ano do centenário da Princesa do Agreste, Luiz Gonzaga a regravou e tornou um sucesso.
Analisando a letra, destaca-se a frase ” de tudo que há no mundo”. Discorrendo o texto, relacionamos 54 itens na composição, tornando ela um excelente catálogo de produtos da feira.
Impulsionado pelo sucesso musical, em 1979 nasceu outro clássico com o mesmo tema: Feira de Mangaio, composição de Glorinha Gadelha, com arranjos de Sivuca, brilhante músico e esposo da compositora.
Clara Nunes foi para o estúdio gravar, Sivuca fez o solo e tornou-se mais um clássico no forró.
A meu ver, ambas não concorrem, mas se complementam: a Feira de Caruaru, de Onildo relaciona os produtos, já a Feira de Mangaio de Sivuca descreve o cotidiano quando diz “tinha uma vendinha no canto da rua / onde o mangaeiro ia se animar / tomar uma bicada com lambu assada…”

Como filho de feirantes, o meu aplauso vai para Onildo, Glorinha e Sivuca.

São pessoas com esse talento e essa sensibilidade poética musical que produzem e ofertam para a sociedade brilhantes canções que registram o dia a dia da nossa gente Nordestina.

Vivam as nossas feiras, viva a música Nordestina, vivam os nossos gigantes culturais!

Prof. José Urbano
13/08/2020

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