Domingo histórico em Jerusalém. Por professor José Urbano.

Aqueles dias eram de tensão social na Judeia e toda a Palestina. Em Jerusalém, centro do poder financeiro, político e religioso , com ênfase no judaísmo, planejavam ações de grupos clandestinos contra a ditadura romana imposta e representada por Herodes e o procurador jurídico, Pôncio Pilatus . Desde que o império Romano deu um golpe de Estado e impôs uma ditadura com mão de ferro, nos idos de 63 A.C, Jerusalém fervia politicamente.
Semanas antes uma tentativa de motim culminou com a morte de um centurião (soldado romano) esfaqueado por Barrabás , um dos revoltosos. Ele fazia parte dos Zelotes, grupo que difundia uma luta armada para expulsão dos romanos . Barrabás estava preso, aguardando a sua sentença. Na lei romana, crime desse tipo tinha como sentença a pena de morte, por crucificação .

Poucos dias antes daquele domingo, o mesmo personagem, o nazareno Jesus , foi visto no templo sagrado para os judeus , (templo esse que levou 46 anos de construção) num comportamento imprevisto, ameaçou destruir o templo e reerguer em 3 dias, quebrou objetos de adoração, empurrou frequentadores, interrompeu a cerimônia e de chicote em punho gritou em alto e bom som:
A casa do meu Pai é para orações, e vós transformastes ela num covil de ladrões ! (João 2, versos 15-16)

Estima-se que estavam ali em torno de 300 mil peregrinos, que foram celebrar a Páscoa, instituída por Moises, 1.250 anos A.C
A sociedade ficou assustada, pois não esperavam nem entenderam esse gesto de tamanha violência. Anás e Caifás , com sua influência política, trataram de preparar uma denúncia imediata. Líderes religiosos chamados de ladrões, foram profanados, agitação social contra as autoridades…imperdoável!

E agora, naquele domingo, o mesmo Jesus entra em Jerusalém, triunfal , com uma multidão aclamando pelas ruas da cidade: Eis o Rei dos Judeus! . Abriram o caminho com ramos de palmeiras , e colocavam tecidos como tapetes para receber sua majestade.
Imediatamente a notícia se espalha por toda a cidade e chega até Herodes , que estremece no trono sob tal ameaça. “ Que rei dos Judeus poderá haver se não eu que estou no poder em nome de Roma e do todo poderoso César! É um outro motim, vamos debelar a sangue, no fio da espada e na sentença de morte. Ergam as cruzes, sentirão a força do meu poder.” Essa frase não está registrada na História, é autoral para ilustrar o que pode ter ocorrido como reação do rei Herodes. Nos bastidores do poder, José de Arimateia , ilustre senador, começou a mover-se discretamente, antevendo os fatos que ocorreriam com o seu Mestre.

E foi assim o hoje celebrado Domingo de Ramos, cinco dias antes da crucificação de Jesus Cristo, o nazareno revolucionário, seja no amor, seja na força social.

Está nas Páginas da História!

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